Em resumo: o Laksha Churnam é a resina seca do inseto da laca reduzida a um pó fino e peneirado, uma forma de preparação que os textos clássicos definem pela finura, pela secura e pelo tempo de conservação, e não apenas pela matéria-prima.

O que é o Laksha Churnam?

Churnam é o termo sânscrito para um pó seco: uma substância, ou um conjunto fixo de substâncias, bem seca, pilada e passada por um pano fino até as partículas ficarem uniformes. É o mais simples dos tipos de preparação clássicos: nada lhe é acrescentado e nada lhe é retirado. O Laksha Churnam é Laksha nesse estado e nada mais.

A própria Laksha é uma resina segregada por uma pequena cochonilha, vulgarmente chamada inseto da laca, que se instala em colónias densas nos ramos de certas árvores hospedeiras e reveste os raminhos com uma crosta resinosa dura enquanto se alimenta. Esse material incrustado no raminho é o ponto de partida de todos os graus de laca, desde os grumos avermelhados em bruto até às escamas pálidas conhecidas na indústria. O relato mais amplo do inseto, dos ramos hospedeiros e das fases de refinação está exposto no nosso guia da Laksha no Ayurveda.

O que importa para o pó é que a Laksha chega à farmácia como um material duro, quebradiço e vítreo, e não como uma raiz, uma casca ou uma semente, pelo que quase todos os pressupostos válidos para um Churnam botânico têm de ser revistos.

A Laksha é uma resina vegetal ou um produto animal?

A Laksha é de origem animal, e vale a pena dizê-lo com clareza. A resina é uma secreção de um inseto e não um exsudado de uma árvore, ainda que seja encontrada em árvores e se manuseie de modo muito semelhante a uma resina vegetal. Os graus em bruto transportam também restos de insetos e a matéria corante carmesim intensa que o inseto produz, ambos reduzidos progressivamente à medida que o material é lavado e refinado. A Laksha, a laca e a goma-laca não são, portanto, adequadas a quem evita ingredientes de origem animal, em nenhum grau e em nenhuma forma, incluindo o pó.

Como se faz o pó de Laksha?

O percurso da crosta ao Churnam é curto na descrição e lento na prática. Os raminhos incrustados são partidos e a resina destacada da madeira, depois triturada e peneirada para que lascas, casca e detritos se separem. Os grânulos são lavados repetidamente em água, que corre de um vermelho intenso no início, à medida que a matéria corante é arrastada, e mais pálida a cada muda. Os grânulos escorridos são secos à sombra e ao ar em movimento, e não com calor direto, porque o material amolece com mais facilidade do que a maioria supõe.

Só quando os grânulos estão secos até ao interior, e não apenas secos à superfície, é que começa a pilagem. A farmácia clássica é insistente neste ponto para todos os Churnam: a humidade residual derrota o almofariz, e um pó feito de material imperfeitamente seco empedra em poucos dias. Os grânulos secos são pilados num almofariz de pedra, ou moídos, e o resultado é passado por pano. O que não passa volta ao almofariz, até que todo o lote tenha passado.

Porque a laca é mais difícil de pulverizar do que parece

A resina de laca é termoplástica. Amolece com calor moderado, pelo que a fricção de uma moagem prolongada a aquece para além do ponto em que se parte de forma limpa, e as partículas começam a esborratar-se. O material passa então a agarrar-se ao pilão, a cegar a malha do crivo e a formar grumos moles que nenhuma pilagem posterior divide. A resposta tradicional é a paciência: lotes pequenos, a parte fresca do dia, pausas frequentes e material mantido suficientemente frio para permanecer quebradiço. Os moinhos são geridos do mesmo modo, com arrefecimento e ciclos curtos.

O resultado vê-se no pó acabado. Um Laksha Churnam moído a frio é seco, solto e uniforme. Um que tenha sido sobreaquecido é baço, ligeiramente pegajoso e salpicado de grumos moles que se achatam em vez de se desfazerem.

O que exige a definição clássica de um Churnam

Os compêndios consideram o Churnam um tipo de preparação definido, com normas próprias, e não simplesmente um ingrediente esmagado. Três exigências repetem-se: o material tem de estar completamente seco antes da pilagem; o pó acabado tem de ser fino, descrito na formulação clássica como liso, e tem de passar por pano, de modo a excluir as frações grosseiras; e tem de ser guardado fechado, ao abrigo da humidade e do calor.

Os pós são também tidos por pouco duradouros. A Sharangadhara Samhita, que estabelece durante quanto tempo cada tipo de preparação conserva as propriedades descritas, coloca o Churnam entre os de vida mais curta, habitualmente lido como uma questão de meses, ao passo que às preparações oleosas e fermentadas se atribui muito mais tempo. Os pós são, por isso, feitos em quantidades modestas, datados e refeitos em vez de acumulados.

Como descrevem os textos clássicos a forma pulverizada?

As descrições clássicas prendem-se com a substância e não com o tipo de preparação, pelo que um Churnam apresenta a mesma descrição que a resina de que provém. Essas descrições usam um vocabulário fixo. Rasa é o sabor que uma substância traz consigo, lido como índice da sua natureza e não como nota culinária. Guna abrange as qualidades físicas, como leve ou pesado, seco ou untuoso. Virya é a sua natureza aquecedora ou refrescante. Vipaka é a qualidade que os textos dizem que a substância assume depois da digestão.

A literatura Nighantu, a tradição clássica de matéria médica que inclui o Bhavaprakasha Nighantu, caracteriza a Laksha como adstringente e amarga em Rasa, leve em Guna e refrescante em Virya. Os autores clássicos descrevem-na como suave em relação aos três Dosha, os três princípios funcionais chamados Vata, Pitta e Kapha, e não como puxando fortemente numa só direção. Os agrupamentos em que é colocada, e os sinónimos usados de um compêndio para o seguinte, são seguidos em Laksha nos textos clássicos do Ayurveda.

Em que difere o Laksha Churnam da resina usada noutros tipos de preparação?

É aqui que o comportamento físico da resina de laca torna o tipo de preparação especialmente consequente.

  • Nas preparações à base de água. A resina de laca é praticamente insolúvel em água. Quando é fervida, a matéria corante e uma pequena fração solúvel em água passam para o líquido e o grosso da resina não. O que se coa no fim continua a reter a maior parte do material inicial.
  • Nas preparações oleosas. A resina é trabalhada numa pasta e processada com gordura e calor, pelo que a fração que se desloca é aquela que a gordura e a temperatura levam consigo.
  • Na fumigação. Os grumos são usados inteiros e não pulverizados, porque se pretende que o material amoleça e fume em vez de ser dividido.
  • Como Churnam. Nada é extraído e nada é descartado. Toda a matriz resinosa, incluindo a cera e a matéria corante, está presente nas proporções que tinha no grânulo.

Entre as formas clássicas correntes, o pó é, portanto, a única em que a totalidade da substância permanece.

O grau da Laksha altera o pó?

Consideravelmente, e nota-se à primeira vista. O pó feito de material em bruto, mal lavado, é mais escuro, castanho avermelhado em vez de âmbar, e transporta mais cera e mais resíduo dos raminhos e do inseto. O pó feito de grânulos bem lavados é mais pálido, mais limpo e mais uniforme na dimensão das partículas. O pó feito de escama refinada é ainda mais pálido e o mais difícil de moer, porque amolece com grande facilidade.

A cor, por si só, é um guia fraco, já que material em bruto e material adulterado podem parecer semelhantes a um olho não treinado, e as verificações que os separam estão descritas em identificação e qualidade da Laksha.

Como se armazena e manuseia o Laksha Churnam?

A humidade e o calor estragam um pó de laca de maneiras diferentes. A humidade faz as partículas aderirem umas às outras, pelo que o pó empedra num bloco que tem de ser partido e peneirado de novo. O calor amolece a própria resina, pelo que as partículas se fundem em vez de se colarem, e um pó fundido não é recuperável por moagem. Convém guardá-lo seco, fresco, fechado e ao abrigo da luz, e prepará-lo em quantidades consumidas dentro do tempo de conservação que os textos descrevem.

Perguntas frequentes sobre o Laksha Churnam

O que significa Churnam no Ayurveda?

Churnam é o termo clássico para um pó seco obtido secando completamente uma substância, pilando-a e peneirando-a através de pano até as partículas ficarem finas e uniformes. A palavra nomeia o tipo de preparação e não um ingrediente, pelo que Laksha Churnam significa Laksha preparada nessa forma.

O Laksha Churnam é vegano?

Não. A Laksha é uma resina segregada pelo inseto da laca sobre os ramos de que se alimenta, pelo que o pó é de origem animal em todos os graus, incluindo os graus refinados em que a cor e a maior parte do resíduo de insetos foram lavadas.

Que cor tem o pó de Laksha?

Varia do castanho avermelhado nos graus em bruto, levemente lavados, ao âmbar pálido ou quase louro nos refinados, porque a matéria corante carmesim é arrastada progressivamente durante a lavagem. A cor, só por si, não estabelece a qualidade.

Como se faz o pó de Laksha a partir da resina em bruto?

O material incrustado é destacado dos raminhos, triturado, peneirado para remover madeira e detritos, lavado até a água sair quase limpa, bem seco à sombra e depois pilado e passado por pano. Tudo o que fique demasiado grosseiro é remoído e peneirado de novo.

Porque se aglomera ou fica pegajoso o pó de Laksha?

Porque a resina de laca amolece com calor moderado. Moer demasiado tempo de uma só vez aquece o material para além do ponto em que se parte de forma limpa, e as partículas esborratam-se e fundem-se em vez de se separarem. A secagem incompleta produz uma aglomeração de aspeto semelhante por outra via.

O Laksha Churnam é o mesmo que goma-laca em pó?

São a mesma matéria-prima em fases diferentes de refinação e não duas substâncias. A goma-laca é resina de laca levada mais longe pela lavagem e pela filtração, pelo que um pó feito a partir dela é mais pálido e mais limpo do que um feito de Laksha em bruto. Os dois nomes são comparados em Laksha e goma-laca.